quinta-feira, 10 de junho de 2010

Ao Sabor da Pena

A pena, que não é pena. É, agora, um teclado de computador. E a palavra que vai me servir é... sofá

Era uma vez um sofá no meio da sala da casa de uma família. Tratava-se de um sofá antigo, de uma família convencional. Pai, Mãe, Filho, Filha. Todos os dias depois da janta, a Mãe sentava no sofá para assistir à novela e ao jornal. Todas as quartas-feiras, o Pai se esparramava no sofá, sentindo-se o rei do pedaço, e assistia ao futebol. Todos os sábados, o Filho convidava dois ou três amigos para sentar-se com ele no sofá e ver um filme. Aos domingos, a Filha costumava passar a tarde deitada no sofá, lendo. 

O sofá foi vítima do primeiro cachorro da família, que cismou em fazer xixi em seu estofado. E do porquinho da índia, que gostava de mastigar o forro. O sofá também foi vítima do primeiro ato de pornografia do Filho (do qual a televisão, grande companheira, também participou). Ele enxugou as lágrimas que a Filha derramou ao ler Harry Potter e as Relíquias da Morte. O tal sofá no meio da sala acompanhou de perto o namoro do Filho com a vizinha, do Filho com a colega de sala, do Filho com a prima. Mas esse último era segredo, e o sofá sabia guardar segredos como ninguém. 

Até que, numa bela manhã de sexta-feira, a Mãe foi promovida, ganhou um aumento salarial e decidiu que iria redecorar a casa. Estava na hora de mudar, era o que ela achava. Então ela jogou o sofá fora e comprou um novo, muito chique, espaçoso, parcelado em 10x no cartão de crédito.


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